Um pentest conduzido sem metodologia clara é apenas hacking desorganizado. Clientes pagam pelo valor do relatório e pela garantia de cobertura sistemática — não apenas por encontrar vulnerabilidades.
As Fases de um Pentest Profissional
1. Pre-Engagement
Antes de qualquer actividade técnica, a fase de pre-engagement define o sucesso do projecto:
- Âmbito (Scope) — o que pode e não pode ser testado. IPs, domínios, aplicações, horário
- Regras de Engagement — acções proibidas (DoS, exfiltração de dados reais, etc.)
- Autorização por escrito — documento legal assinado. Sem isto, não existe pentest, existe crime
- Emergency contacts — quem contactar se algo correr mal
- Entregáveis — o que é esperado no final
2. Reconhecimento (Recon)
Dividido em passivo (sem contactar o alvo) e activo (contacto directo):
Passivo:
# Enumeração de subdomínios
subfinder -d alvo.com | httpx -silent
# Google Dorks para exposição de informação
site:alvo.com ext:pdf OR ext:docx
site:alvo.com "senha" OR "password" OR "credencial"
"@alvo.com" filetype:xls
# LinkedIn para tecnologias
# GitHub para repositórios e segredos
Activo:
# Port scan completo
nmap -sV -sC -A -p- --min-rate 5000 alvo.com -oA recon/nmap
# Enumeração web
gobuster dir -u https://alvo.com -w /opt/wordlists/common.txt -x php,html,js
# Enumeração de APIs
ffuf -w /opt/wordlists/api-endpoints.txt -u https://alvo.com/api/FUZZ -mc 200
3. Análise de Vulnerabilidades
# Scanner web
nikto -h https://alvo.com
nuclei -u https://alvo.com -t cves/ -severity high,critical
# Para aplicações web: Burp Suite Professional
# - Spider / Crawl automático
# - Scanner activo
# - Manual testing com Repeater e Intruder
4. Exploração
A fase de exploração requer equilíbrio entre profundidade e risco. Regras base:
- Documenta tudo — screenshots, logs, commands
- Preferir exploits não destrutivos
- Testar sempre numa janela de manutenção se o sistema for produção
- Respeitar o âmbito rigorosamente
# Exploração de vulnerabilidades conhecidas
searchsploit -x windows/remote/xxxxx.py
# Metasploit para módulos conhecidos
msfconsole
use exploit/multi/handler
set PAYLOAD linux/x64/shell_reverse_tcp
5. Pós-Exploração
Após acesso inicial, os objectivos são:
- Persistência (se autorizada no scope)
- Escalada de privilégios
- Movimento lateral
- Colheita de evidências do impacto real
# Linux PrivEsc
sudo -l
find / -perm -4000 2>/dev/null
cat /etc/crontab
# Windows PrivEsc
whoami /priv
Get-LocalGroupMember -Group Administrators
winPEAS.exe
6. Relatório
O relatório é o produto final do pentest. A sua qualidade determina o valor entregue.
Estrutura de um bom relatório:
- Sumário Executivo — para gestão não técnica. Risco geral, achados críticos, recomendações prioritárias
- Metodologia — o que foi testado, como e quando
- Achados — cada vulnerabilidade com:
- Título descritivo
- Severidade (CVSS)
- Descrição técnica
- Prova de conceito com screenshots
- Impacto de negócio
- Remediação detalhada
- Apêndices — output de ferramentas, scans completos
Framework de Classificação de Risco
Usa o CVSS 3.1 como base, mas ajusta sempre ao contexto:
- Uma SQLi num sistema interno sem dados sensíveis ≠ SQLi num sistema com dados de cartões de crédito
- O impacto de negócio tem mais peso do que o score técnico para executivos
Conclusão
A metodologia é o que distingue um profissional de segurança de um script kiddie. Clientes confiam-te os seus sistemas — essa confiança exige rigor, documentação e ética em cada passo do processo.